terça-feira, 8 de março de 2011

Nascida para ser Indômita??

A vida inteira fui barulhenta, ao ponto de me dizerem para calar a boca.
A única razão que eu tinha para isso era porque precisava gritar para ser ouvida na minha família.
Minha família? É, vocês leram certo. O lado da minha mãe é bem legal, a família do meu pai é a extravagância cantante, dançante musical, tudo musicalmente pirado. Disseram-me que eu era dotada de uma bela voz, e acho que a culpa disso é do meu pai.Ao contrário do meu pai, de sua criação e seu ascendentes, quero fazer uma coisa com o talento com o qual fui "abençoada".

Meu pai se contenta em cantar em voz alta em seu escritório e em vender janelas. Minha Mãe, no entanto, é química. Ela é quieta, reservada.
Eu diria que minha vida escolar e os boletins escolares estão cheios de "poderia fazer melhor" e "não aproveita sue potencial ao máximo".
Quero ir para algum lugar em que possa ir até o meu limite e talvez mesmo além.
Cantar em aulas sem que me digam para calar a boca (desde que sejam aulas de canto).
Mas principalmente, tenho o sonho de ser muito famosa. Trabalhar no palco. É uma ambição da vida inteira.
Quero que as pessoas ouçam minha voz e simplesmente.... esqueçam seus problemas durante cinco minutos.
Quero ser lembrada por ser uma atriz, uma cantora, por concertos repletos e shows lotados no West End e na Broadway.
Por ser simplesmente... Eu!!!

Carta de apresentação de Amy  para o "Theatre School", extraída de sua Biografia, por Chas Newkey-Burden.

Caleidoscopicamente ... Amy Jade Winehouse!!!

Solidão Interior

Solidão interior,
É quando você sente que este não é o teu lugar. Não é o teu tempo...
Não é o teu mundo.
É sentir saudades de alguém que você não conhece.
É quando mesmo acompanhado, você se sente sozinho.
Solidão interior. É sorrir e sentir-se triste.
É quando os teus dias passam devagar.
É quando você se encontra na escuridão das noites, sem ninguém.
É quando você desabafa ao vento e ele desmancha tuas palavras no ar.
Solidão interior. É quando você tem milhões de sentimentos, mas se encontra no vazio.
É quando você sente a dor de não viver um amor e o teu coração grita.
É quando você quer amar, mas não encontra a outra metade da tua alma.
Solidão interior, é quando você começa a acreditar que o amor é apenas uma fuga para quem não sabe viver só...


"Eu sou do tamanho daquilo que sinto, que vejo e que faço, não do tamanho que os outros me enxergam."




 
De um Eterno caleidoscópico: Carlos Drummond de Andrade

Crônica de Luís Fernando Veríssimo

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A décima terceira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil, encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB 11 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB 11 é a realidade em busca do IBOPE.

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 11. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os “animais” do “zoológico”: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a “não sou piranha mas não sou santa”, o modelo Mr. Maringá, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é para acabar!!!).

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e
escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível.

Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.

Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..

Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.

Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.

Heróis, são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína, Zilda Arns).

Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aostelespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro
estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.

E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?

(Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.

Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar.... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... ,telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.

Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade.

Um olhar Caleidoscópico da Infeliz realidade da nossa TV aberta !!!

"Por não estarem distraídos"

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. 

Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. 


Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. 

Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. 

Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

Clarice Lispector

O Fim de um Amor Caleidoscópico!!!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Reflexões Caleidoscópicas...

Ela é feliz assim, mas nao sabe ao certo o que pode querer ou não...
tudo é muito novo, e assustadoramente estranho, as vezes ela quer sumir e tem alguns surtos psicóticos de loucura e deseja profundamente que seu coração se alague de decepções para que tudo acabe logo...

 

Ela é perfeitamente MALUCA, docemente HUMANA, quer respostas logo, tudo pra ontem, apesar de saber que não depende de  uma única resposta, ela finge muitas vezes que esta tudo bem: SIM ela quer acreditar que tudo esta assim, no fundo a única verdade é a imensa vontade de ser muito, mas muito FELIZ!!!

 

 Caleidoscopicamente falando...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Alice, um delicioso desvario



Essa incrível história começa quando Alice encontra um coelho de colete que insiste em olhar um relógio de pulso. Quando resolve segui-lo conhece o país das maravilhas, lá encontra criaturas peculiares e um tanto quanto antropomórficas.

   Uma lagarta fumante, um gato de cheshire, um chapaleiro maluco e um Dôdô, é tudo o que Alice tem nesse novo país que a faz confundir-se a todo instante de seu verdadeiro tamanho, "A Trupe de malucos " ajuda a pobre garota a entender quais são as regras desse novo mundo onde as rosas brancas são obrigatoriamente pintadas de vermelho por ordem expressa da temida e sentenciosa "Rainha de copas "que insiste em querer a cabeça de todos.

  O enigmático conto de Alice foi escrito por um gênio não só da literatura como da matemática, Charles Lutwidge Dodgson mais conhecido pelo psedônimo Lewis Carrol. O escritor decidiu redigir Alice quando em um passeio pela Tâmisia contou uma história a duas amigas que deu origem a atual.




   Lewis, faz alusão a adolescência no momento em que confunde Alice em qual seria seu verdadeiro tamanho, grande ou pequena? Uma criança ou um adulto? Em uma das passagens do livro ele cita o momento em que Alice não sabe mais quem é exatamente e  não entende suas tranformações, típico da psicologia adolescente. Enígmatico, o autor também introduz formulas matemáticas exemplo disso esta na passagem O chá dos loucos onde o escritor  introduz uma relação  entre os personagens e  valores semânticos, sutilmente e incrívelmente introduzidos no livro.

   Lewis também escreveu o segundo livro de Alice que seria a continuação do primeiro, "Alice no Outro Lado do Espelho", que a meu ver se adequa mais ao recente filme dirigido por Tim Burton, onde o principal objetivo de Alice é vencer um jogo de xadrez e se tornar rainha. O livro também ridiculariza a compostura exigida ás histórias moralistas lidas para as crianças naquela época na Inglaterra vitoriana.Portanto as duas histórias deixam de ser simplesmente contos infantis e passam a ser obras-primas da literatura fantástica de todos os tempos.
  
Alice in Worderland um conto caleidoscópico.

domingo, 26 de setembro de 2010

Um garoto de Ipanema chamado Cazuza

 
No dia 04 de Abril de 1958 nascia na cidade do Rio de Janeiro o meu grande ídolo, um dos maiores poetas da MPB, Agenor de Miranda Araújo Neto, conhecido desde a barriga de sua mãe por Cazuza. 


Na definição do dicionário, "cazuza" é um vespídeo solitário, de ferroada dolorosa. Deriva daí, provavelmente, o outro significado que o termo tem no Nordeste: o de moleque, desde pequeno preferia o apelido a seu nome.  O nome ele só viria a aceitar mais tarde, ao saber que Cartola, um dos seus compositores prediletos, também se chamava Agenor. 


Quieto e solitário, foi um menino bem-comportado na infância. Na adolescência porém a personalidade rebelde do futuro roqueiro "exagerado" se manifestaria. Terminou a duras penas o ginásio, prestou vestibular para comunicação somente sob a promessa de que ganharia um carro de seu pai, desistiu do curso em menos de um mes de aula. Vivia a Boemia no baixo Leblon sob o lema sexo, drogas e rock'n roll, amava Jimi Hendrix , Janis Joplin e Rolling Stones (também amo). Mais tarde assumiu para a mãe a homosexualidade, o que não foi nada fácil para dona Lucinha, muito menos para o pai, que também o livrou várias vezes de prisões e fichas na polícia por porte e uso de drogas.


Em 1976 trabalhou na Som Livre no departamento artítico, fazendo a triagem de fitas de cantores novos e na assessoria de imprensa. Cursou sete meses fotografia na universidade de Berkeley,deu alguns passos como fotográfo mas estava escrito, a música era o seu destino.Iniciou um curso de teatro e descobriu seu talento sob os palcos, não para representar mas sim para cantar.


Em 1981 com Roberto Frejat, guitarrista; Dé, baixista; Maurício Barros, teclados; Guto Goffi, baterista formou o grupo Barão Vermelho, rapidamente a banda que só tocava covers resolve usar as composições feitas na surdina por Cazuza, montando assim seu repertório próprio. Em 82 gravou em questão de dias seu primeiro albúm com o grupo, " Barão Vermelho" fez um enorme sucesso até entre o meio artístico, Caetano Veloso inclui em seu repertório a canção " Todo Amor que Houver nessa vida " e criticou as rádios que não tocassem as músicas do jovem grupo.Um ano depois gravou o LP "Barão Vermelho 2", que venderia 15 mil cópias, quase o dobro do primeiro, uma das músicas de trabalho era " Pro dia nascer feliz ", interpretada também pelo cantor Ney Matogrosso, a primeira estrela da MPB a graválos. No ano de 1984 fizeram sob encomenda a múscia " Bete Balanço ", música-título do filme, a canção estourou virando um marco na carreira do Barão, "Maior abandonado" vendeu mais de 60 mil cópias em 2 meses, atingiu 100 mil em seis.


Em janeiro de 1985 fizeram uma bem-sucedida participação no Rock 'n Rio, abrindo o show para grandes bandas do rock internacional, o grande sucesso porém não evitou a separação do grupo e em julho do mesmo ano Cazuza decidiu que sua estrela a partir dali brilharia sozinha. Poucos dias depois o astro foi internado no hospital com 42 graus de febre, diagnóstico, infecção bacteriana, o que o fez tomar a decisão de fazer um teste de HIV, que naquela época dera negativo, pois os exames ainda não eram precisos como hoje.


Gravado com outros músicos, o albúm " Cazuza " apresentou uma sonoridade mais limpa que a do Barão, lançado em  novembro de 1985, o disco inaugurou sua carreira solo, uma carreira cheia de parcerias ainda com Frejat Ezequiel Neves e Leoni, esses dois últimos o ajudaram a compor o rock " Exagerado", e a poética " Codinome beija flor ", com Ezequiel e Reinaldo Arias.Uma das importantes referências literárias de Cazuza era Clarice Lispector, cujo a "Descoberta do Mundo" virou seu livro de cabeceira. "Só se for a dois" foi um sucesso imenso, seus shows lotavam e a crítica elogiava cada vez mais seu trabalho. Nessa mesma época contudo veio a confirmação de Aids, e sua vida e carreira mudaria completamente.


Em 1987 foi internado no Rio, e logo em seguida levado para Boston e se submeteu a um tratamento de AZT. Ao voltar gravou "Ideologia" no ínicio de 1988, no ano seguinte em cadeira de rodas gravou o CD duplo "Burguesia', o que seria seu derradeiro registro discógrafico em vida.


Em outubro de 1989, depois de quatro meses seguindo um tratamento alternativo em São Paulo, Cazuza viajou novamente para Boston, onde ficou internado até março do ano seguinte. Seu estado já era muito delicado e, àquela altura, não havia muito mais o que fazer. Foi assim que ele morreu, pouco depois - a 7 de julho de 1990.

Eu tinha pouco menos de dois anos quando a voz de um dos maiores cantores desse país se calou, eu como fã incondicional não pude deixar de prestar a minha homenagem a ele neste meu espaço, sinto que esse grande poeta deixou um legado espetacular de músicas que sempre me faz refletir sobre a vida, a política e sobre como amar a vida infinitamente, pois foi exatamente o que ele fez até o último dia em que esteve aqui, lamento a decadência da música brasileira nos dias de hoje, a meu ver isso sim é música, poesia em forma de música.

Algúem que viveu num Caleidoscópio... 

"Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem.
"



Blues da Piedade - Cazuza 

Link de uma das melhores músicas...